RESUMO
Este artigo aborda como tema central o movimento feminista negro, vertente do feminismo que surge em meados da década de 60 nos Estados Unidos e se espalha pelo mundo como o braço de um feminismo até então majoritariamente branco. A construção do texto parte de textos escritos pela colunista, mestra em filosofia política Djamila Ribeiro, publicados no portal online Carta Capital.
Palavras-chave: Feminismo; Feminismo Negro; Interseccionalidade; Redes Sociais;
INTRODUÇÃO
Durante toda a história da sociedade ocidental algumas mulheres se subverteram do que era normativo à elas e exigiram mudanças políticas e sociais no lugar onde viviam. Para as brasileiras do século XXI é incomum pensar que existiram mulheres que as antecederam e, que após uma pressão social, conquistaram os direitos que se têm hoje. Porém, é preciso atentar-se que dentro da categoria mulheres existe uma subdivisão de raça que torna a conquista dos direitos mais árdua e dificultosa.
“Enquanto naquela época mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ao
trabalho, mulheres negras lutavam para serem consideradas pessoas.” (RIBEIRO, Djamila).
Djamila Taís Ribeiro dos Santos, mulher, negra e ativista social, é mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo e se tornou conhecida graças ao seu ativismo na internet onde defende as pautas feministas e raciais. Atualmente, Djamila conta com duas obras principais publicadas, “O que é lugar de fala” e “Quem tem medo do feminismo negro?” e se tornou uma importante voz no debate sobre feminismo negro nas redes sociais.
É a partir da leitura do texto de Djamila Ribeiro publicados no portal online Carta Capital que as linhas seguintes deste artigo são construídas. É importante atentar de antemão que para articular sobre feminismo negro foi necessário manter atenção para que em momento algum o lugar de fala das mulheres negras fosse apoderado por alguém que não o representasse, por isso, os textos utilizados para a construção do pensamento são, em sua maioria, escritos por mulheres negras ou publicados por portais que se atentem a importância de dar voz a essas mulheres.
É a partir da leitura do texto de Djamila Ribeiro publicados no portal online Carta Capital que as linhas seguintes deste artigo são construídas. É importante atentar de antemão que para articular sobre feminismo negro foi necessário manter atenção para que em momento algum o lugar de fala das mulheres negras fosse apoderado por alguém que não o representasse, por isso, os textos utilizados para a construção do pensamento são, em sua maioria, escritos por mulheres negras ou publicados por portais que se atentem a importância de dar voz a essas mulheres.
O FEMINISMO
Feminismo. substantivo masculino. Doutrina cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre mulheres e homens. [Por Extensão] Ideologia que defende a igualdade, em todos os aspectos (social, político, econômico), entre homens e mulheres.
Acredita-se que desde os primórdios da sociedade ocidental algumas mulheres se destoava das regras sociais impostas a elas e se comportavam de maneira divergente das demais, porém os primeiros registros do chamado Movimento Feminista no Brasil datam o início do séc. XIX, quando as mulheres do país se viram insatisfeitas com suas ocupações e passaram a exigir o direito ao voto e a emancipação feminina.
“A partir do século IV a.C., viveram em regiões norte e nordeste da
Europa os povos celtas e nórdicos, os quais se destacaram, além de
sua cultura e forma de vida, por abordarem a figura da mulher como
de crucial importância no desenvolvimento de suas práticas sociais e
religiosas” ( COSOLIM, Verônica Homsi)
Todavia, os direitos conquistados pelo feminismo nem sempre abrangia todas as mulheres, já que enquanto as mulheres brancas podiam exigir o direito ao voto, as negras buscavam formas de se recolocar na sociedade pós escravocrata. De certa forma, portanto, a luta feminista passa a englobar não só questão de gênero, mas também questões de raça.
“A dinâmica racial brasileira e a marginalização do negro em nossa
sociedade é fruto de uma abolição sem conclusão, uma abolição de uma
mentirinha que só serviu para colocar o negro em uma posição à
parte da sociedade [...].” ( JARDIM, Suzane).
INTERSECCIONALIDADE
O feminismo negro traz como premissa básica a necessidade de envolver mulheres negras em um movimento que até então era exclusivamente branco. Essa premissa, parte do conceito de interseccionalidade, defendido por Kimberlé Crenshaw7 uma referência no estudo da teoria crítica racial, que diz que as opressões são combinadas, ou seja, para uma mulher negra o debate não pode ser pautado apenas nas questões de gênero ou raça de forma isolada, mas sim nas questões de gênero e raça, como uma unidade. Segundo Crenshaw, interseccionalidade é a forma de capturar as consequências da interação entre duas ou mais formas de subordinação: sexismo, racismo, patriarcalismo.
“Quando o feminismo não se opõe ao racismo de forma explícita, e
quando o antirracismo não incorpora a oposição ao patriarcado, as
políticas de raça e gênero frequentemente acabam sendo
antagônicas umas às outras e ambas perdem interesse.”
(CRENSHAW, Kimberlé).
Djamila Ribeiro, fala muito sobre o conceito de interseccionalidade, “por isso o feminismo negro é tão importante [...]. É a luta das mulheres negras se colocarem como sujeito político, mas não só isso, é pensar interseccionalidade como combate para todas as opressões não apenas aquelas que nos atinge”. “[...] o discurso universal é excludente, porque as mulheres são oprimidas de modos diferentes, tornado necessário discutir gênero
com recorte de classe e raça, levando em conta as especificidades de cada uma. A universalização da categoria "mulheres" tendo em vista a representação política foi feita tendo como base a mulher branca de classe média.” (RIBEIRO, Djamila).
com recorte de classe e raça, levando em conta as especificidades de cada uma. A universalização da categoria "mulheres" tendo em vista a representação política foi feita tendo como base a mulher branca de classe média.” (RIBEIRO, Djamila).
O que se pode dizer é que o que o feminismo traz de mais importante além de inserir as mulheres negras no seu local de fala é a contribuição do conceito de interseccionalidade, ou seja, se atenta às questões mais primordiais no prisma social, não se discute apenas as questões de gênero e raça isoladas, mas sim as consequências delas combinadas como formas interseccionais de opressão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O feminismo é branco, assim como as grandes construções sociais que temos como referência parte do poderio da branquitude e o que o feminismo negro prega vai muito além de uma simples ramificação, ou uma disputa de lados. A pauta do feminismo negro está concentrada na ampliação do debate, na percepção de que as pautas feministas não vão ser solucionadas se não nos atentarmos nas demais questões da hierarquia da opressão.
O conceito de interseccionalidade traz ao debate feminista uma visão mais ampla, concretiza a idéia de que para agregar cada vez mais mulheres ao movimento e livrá-las das condições de submissão do sistema é preciso romper com a bolha de classe e raça e construir uma unificação que discuta todas essas questões com mais responsabilidade. “Acho que essa será uma luta infinita e as vitórias que conquistamos nos permite imaginar novas liberdades. Acredito que cada geração vai criar novos significados sobre o que é ser livre.” (DAVIS, Ângela).
REFERÊNCIAS
CARTA CAPITAL. O que é feminismo?. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-e-feminismo-2198.html>. Acesso em: 18 set. 2018.
CONVERSAÇÕES. Djamila Ribeiro explica "Quem tem medo do feminismo negro?. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=y8-VycJeCTQ>. Acesso em: 5 set. 2018.
DICIO. Feminismo. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/feminismo/>. Acesso em: 24 set 2018.
DJAMILA, Ribeiro. Quem tem medo do feminismo negro?. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/quem-tem-medo-do-feminismo-negro-1920.html>. Acesso em: 4 set. 2018.
DJAMILA, Ribeiro. Quem tem medo do feminismo negro?. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/quem-tem-medo-do-feminismo-negro-1920.html>. Acesso em: 4 set. 2018.
DJAMILA, Ribeiro. Quem tem medo do feminismo negro?. 1. ed. São Paulo. Companhia das Letras, 2018.
NATIONAL ASSOCIATION OF INDEPENDENT SCHOOLS (NAIS). What is Intersectionality?. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ViDtnfQ9FHc>. Acesso em: 9 set. 2018.
NÓS MULHERES DA PERIFERIA. Infográfico: A condição da mulher negra em números. Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/infografico-a-condicao-da-mulher-negra-no-brasilem-numeros/>.Acesso em: 18 set. 2018.
CONSOLIM, Verônica. CARTA CAPITAL. Um pouco da história de conquistas dos direitos das mulheres e do feminismo. Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2017/09/13/um-pouco-da-historia-de-conquistas-dos-direitos-das-mulheres-e-do-feminismo/>. Acesso em: 4 set. 2018.
Texto original de: Juliana Cristina dos Santos
E-mail: jucs2009@gmail.com
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