quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A REPRESENTATIVIDADE E A FALTA DELA - A MULHER AFRO DESCENDENTE NO MERCADO CINEMATOGRÁFICO


Thais Barbosa de Lima ¹




RESUMO:

O presente artigo se refere a falta de representatividade da mulher na indústria cinematográfica especificamente com a mulher afro descendente, no mundo do cinema, existe apenas uma pequena parcela de mulheres atuando, produzindo, escrevendo, e uma parcela menor ainda da mulher negra.

Palavras chaves: Mulher, afro descendente, cinema, representatividade, mercado de trabalho.




Quando se assiste filmes ou series, às vezes é possível que se deixe passar batido, quem estar por trás das telas como diretores, roteiristas, produtores, e afins, e também não repara na falta de representatividade feminina negra dentro das telas, mas isto não muda o fato que a desigualdade de gênero e racial existe neste mercado. De acordo com o site Nó de Oito, uma pesquisa realizada em 2016 pela New York Films Academy, “nos bastidores, de 61 executivos, apenas 13 são mulheres, assim como de 375 Filmes feitos pelos Big Six entre 2010 e 2014, apenas 13 foram dirigidos por mulheres”. Mas imagina só, que nesses dados, não identificam a etnia dessas mulheres, quantas mulheres afro descendentes estão envolvidas nisso? Isso também se reflete nas telas, a pesquisa também revela que “enquanto 79% dos protagonistas são homens, 21% são mulheres,” dessa porcentagem, quantas são mulheres afro descendentes? De acordo com o site, Lara Vascouto escritora do Nó de Oito diz que “Apenas 6 dos 500 maiores filmes de todos os tempos tiveram mulheres não brancas como protagonistas, sendo que 5 desses filmes foram animações. Em 2003, menos de 5% dos filmes estrelaram mulheres não brancas”. Além disso, existem as grandes premiações neste meio como o Oscar e o Emmy e mais uma vez existe a falta de pessoas negras nas categorias para concorrer. De acordo com o site prosa livre “A falta de indicados negros é um reflexo da própria exclusão dessa população dentro da própria instituição do Oscar. Um estudo de 2012 do jornal LosAngeles Times mostra que negros possuem pouca representação na Academia, respondendo por apenas 2% dos membros.

O mesmo documento afirma que eles são 94% brancos e 77% homens. Isso ajuda a entender, também, a falta de mulheres nas categorias de direção, por exemplo” Jan, 2016. 
A falta de representatividade dessas mulheres é alta e por mais que atualmente, as pessoas estão prestando mais atenção neste assunto, continua sendo pouco para que de fato tenha uma mudança significativa.



Representatividade feminina no filme Pantera Negra

Em fevereiro de 2018, foi lançado um filme chamado Black Panther - (Pantera Negra), um filme que mostra a vida no Reino de Wakanda. Por mais que o protagonista seja um homem negro T’challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman) o filme teve destaques femininos muito importante, Ramonda (Angela Basset
), Rainha e mãe do Protagonista, Shuri (Letitia Wright) irmã mais nova e desenvolvedora das ferramentas mais tecnológicas do reino de Wakanda, General Okoye (Danai Gurura) líder do exercito Dora Milaje totalmente composto por mulheres negras e Nakia (Lupita Nyong’o) espiã que ajuda outras mulheres em situação de escravidão.
Cada uma delas, não se prendem a estereótipos que a indústria cria especialmente para o perfil negro, como por exemplo: “a Escrava, a Empregada, a Barraqueira e a Melhor Amiga Arretada”




Grandes Premiações

O Protagonismo com mulheres negras em filmes e séries é pequeno e essa limitação de estereótipos para as atrizes é uma barreira enorme, pois não permite um desenvolvimento maior de seus personagens, que reflete na falta de prêmios para atrizes negras em grandes premiações como Oscar e Emmy.
De acordo com o site Prosa livre “Em 87 anos de premiação, foram 2.900 indicados ao Oscar. Desse número, apenas 32 negros ganharam a famosa estatueta dourada. Entre eles, somente 14 atores e atrizes ganharam o reconhecimento por seus trabalhos na atuação. Porém, muitos venceram interpretando papéis estereotipados como escravos, pessoas abusivas ou submissas.”

O site Nó de Oito relata sobre a primeira mulher negra a receber o Emmy como melhor Atriz.  “A atriz Viola Davis foi a primeira mulher negra a ganhar a maior premiação da televisão americana para a categoria de Melhor Atriz. Halle Berry foi a única mulher negra até hoje a ganhar um Oscar de Melhor Atriz – a maior premiação do cinema americano. (...) outras (poucas) mulheres negras – entre elas, Uzo Aduba, Lupita Nyong’o e Jennifer Hudson – ganharam seus prêmios como Atrizes Coadjuvantes. E eu faço questão de ressaltar isso porque existe uma diferença fundamental entre os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante.
Isso nos leva a algo muito importante que Davis disse em seu discurso “A única coisa que separa mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Não é possível vencer um EMMy por papéis que simplesmente não estão lá”. Davis, Viola, 2015.
O cenário está mudando para as atrizes afro descendentes, mas elas aindam precisam de mais oportunidades, se isso ocorrer de fato, mais Violas Davis aparecerão para mostrar seu talento e força ao mundo e todos ganham com isso.







FONTE: Gender inequality in Film - New York Academy (https://www.nyfa.edu/film-school-blob/gender-enequality-in-film/)
FONTE: Gender inequality in Film - New York Academy (https://www.nyfa.edu/film-school-blob/gender-enequality-in-film/ 






REFERÊNCIAS:















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¹ Artigo apresentado como trabalho parcial para a disciplina “Pesquisa em Comunicação” ministrada pela Profa. Beatriz Regina Pires Zaragoza.
Graduando em Comunicação Social, Curso Publicidade e Propaganda do FIAM FAAM Centro Universitário. Email: Thaislima53@gmail.com.



As bagagens culturais étnicas e seu espaço na sociedade brasileira moderna: como os valores culturais influenciam o cotidiano urbano


Resumo

Na cidade de São Paulo temos contato direto com inúmeras etnias e suas culturas. Este artigo apresentará o impacto do multiculturalismo em nosso dia-a-dia.

Palavras-chave: multiculturalismo, cotidiano, história, origens, bagagem cultural, influência

Abstract

In the city of São Paulo we have direct contact with countless ethnicities and their cultures. This paper presentes the impact of multiculturalismo in our daily lives.

Keywords: multiculturalism, daily routine, history, origins, cultural baggage, influence


1.      Introdução

Pretende-se, a partir deste artigo, gerar uma conscientização em torno do tema da influência africana na sociedade brasileira da atualidade.

2.      Desenvolvimento

Você já ficou zangado com um marimbondo por ter lhe picado, e saiu xingando muito e com um tamanco na mão para matá-lo? Essa é uma situação comum em nosso país de clima tropical, mas é graças à cultura africana que frases como essa podem ser construídas. Todas as palavras destacadas no primeiro parágrafo são de origem africana, trazidas para nós em navios cargueiros em uma das fases mais sombrias da história brasileira: o regime escravocrata. Esse período estará para sempre gravado em nossa origem como sociedade, no nosso DNA e em nossos hábitos culturais. Hoje em dia já não conseguimos desvincular o simbolismo do que é ser brasileiro da bagagem cultural fornecida pelos diversos povos que deixaram a África a força, porém sem se desgarrarem de suas raízes.
Além da etimologia, que deu origem à boa parte da língua portuguesa como a conhecemos hoje, há registros da influência africana nas mais diversas áreas, como construção, agricultura, pecuária, gastronomia, música, religião...Segundo Alberto da Costa e Silva, autor do livro “A enxada e a lança”, o processo de migração forçada mudou nosso modo de viver. “Devemos aos africanos a forma de construir uma casa rústica, técnicas agrícolas e pecuárias, a maneira de peneirar ouro nos garimpos, o modo de nos comportarmos, de gostar de rua”. Hábitos e práticas desenvolvidas no período colonial, até pouco antes do final do império, onde a escravidão era cena comum em nosso país, são mantidos até hoje mesmo nas grandes cidades, como São Paulo.
Apesar de ainda serem estigmatizadas, não é incomum vermos pessoas adeptas as religiões africanas, como o Candomblé. Na Bahia, um dos maiores polos culturais de nosso país, quase toda a base culinária e musical provém dos quilombos. Não podemos esquecer que a capoeira também veio da África, mas agora é tão associada ao Brasil quanto o futebol!
Não conhecer ou não respeitar o continente africano como uma parte fundamental na criação do Brasil é ignorar nossa origem e nosso cotidiano. Incorporamos e nos apropriamos sem grande dificuldade de todos os benefícios culturais trazidos para cá, mas esquecemos do mais importante: os donos de tudo isso. Apesar de toda essa riqueza histórica, os afrodescendentes estão longe de viver com igualdade e respeito nos dias atuais. Principalmente nos grandes centros urbanos, onde, em sua maioria, vivem à margem da sociedade. Cabe a nós, brasileiros, enquanto descendentes, fomentar a informação e o ensinamento da história valorizando e engrandecendo todos esses aspectos acima discutidos.

3. Considerações finais

Sabe-se que a cultura é um bem imensurável na construção do caráter e personalidade de cada indivíduo. Sendo assim, torço para que cada vez mais as pessoas tenham conscientização e valorizem esse aspecto imaterial como um verdadeiro patrimônio brasileiro, sem esquecer jamais o motivo dessa miscigenação cultural. Que celebremos a diversidade, mas que não reprisemos um passado sombrio de imigração forçada como base histórica.




FERREIRA, Marcio Carvalho. A influência africana no processo de formação da cultura afro-brasileira [reportagem]. Acorda Cultura [site]. São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.acordacultura.org.br/artigos/29082013/a-influencia-africana-no-processo-de-formacao-da-cultura-afro-brasileira. Acesso em: 25 set. 2018.
GLOBO EDUCAÇÃO. Lei que institui o ensino da cultura afro ajuda a diminuir o preconceito [reportagem]. In: Globo Educação [site]. São Paulo, 2013. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2012/06/lei-que-institui-o-ensino-da-cultura-afro-ajuda-diminuir-o-preconceito.html/viewform. Acesso em: 25 set. 2018.
GLOBO EDUCAÇÃO. O legado fundamental dos povos africanos para a cultura brasileira [reportagem]. In: Globo Educação [site]. São Paulo, 2013. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2012/06/o-legado-fundamental-dos-povos-africanos-para-cultura-brasileira.htmlAcesso em: 25 set. 2018.
LIMA, Ester. A influência da cultura negra na formação do Brasil [reportagem]. Pausa para refletir [blog]. São Paulo, 2016. Disponível em: https://pausapararefletir.wordpress.com/2016/05/28/a-influencia-da-cultura-negra-na-formacao-do-brasil/. Acesso em: 25 set. 2018.
QUENIA, Glaucia. A influência africana na formação da língua portuguesa no Brasil [reportagem]. In: Afreaka [site]. São Paulo, 2017. Disponível em: http://www.afreaka.com.br/notas/a-influencia-africana-na-formacao-da-lingua-portuguesa-no-brasil/. Acesso em: 25 set. 2018.
SAGATIBA, Fernando. Palavras de origem africana no vocabulário brasileiro [matéria]. In: Diário do Transporte [reportagem]. São Paulo, 2015. Disponível em: https://raizdosambaemfoco.wordpress.com/2015/07/17/palavras-de-origem-africana-no-vocabulario-brasileiro/.Acesso em: 25 set. 2018.

Agradecimentos
À professora Beatriz Regina Pires Zaragoza, pelo auxilio e orientação na escolha do tema e pela paciência e determinação em nos fazer evoluir quanto alunos e profissionais.

Trabalho entregue em 25 de setembro de 2018.

Texto original de: Thamiris Fagundes Coutinho
E-mail: thamifcoutinho@gmail.com