A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE NEGRA NA TELEVISÃO, E
A DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES PARA AFRODESCENDENTES NA REGIÃO PAULISTANA.
SANTOS, Yuri Bohn¹
RESUMO
O artigo proposto tem em seu início a explicação do que é a palavra representatividade, posteriormente abordando a necessidade do processo de identificação para a população afrodescendente². Além do mais, debater como esses dois processos são precursores da modificação do seu posicionamento em sociedade. Retratando também, como a falta dela pode implicar psicologicamente e socialmente em sua grande maioria os mais jovens que pertencem ao grupo referido. Por fim, através de dados, demonstrar como a desigualdade de acesso dos negros em relação aos brancos ainda é grande nos veículos de comunicação paulistano nos dias atuais.
PALAVRAS CHAVE
Representatividade; afrodescendente; mídia; televisiva; discriminação;
INTRODUÇÃO
Por mais que os anos se passaram desde a abolição da escravatura no século XIX, o Brasil ainda tem como desafio proporcionar aos afro-brasileiros a igualdade de oportunidades. Principalmente, no quesito de acesso à educação e o mercado de trabalho, que ainda possui muita adversidade e intolerância no que se refere às diferenças étnico-raciais. Sendo assim, os anos perdidos devido a acontecimentos passados, fez com que essa população tenha sido prejudicada para obter seu espaço de forma democrática, em relação à supremacia branca. Que vem sendo questionada pela população negra no contexto atual em que vivemos.
À vista disso, devido ao procedimento de resistência das grandes minorias em sociedade como: Afro-Racial, LGBTQ+³ e Feminina durante décadas, hoje é comum ouvirmos nas diferentes mídias e debates entre esses grupos o termo “representatividade”. Portanto, é necessário entendermos previamente o significado dessa palavra, para exemplificar sua importância ao acesso dos negros nos grandes meios de comunicação paulistana e suas consequências para as gerações futuras.
A LUTA DOS AFRO-BRASILEIROS EM RELAÇÃO AO SEU ESPAÇO NA MÍDIA PAULISTANA
Tendo em vista o processo de identificação como percursos de deleite para qualquer ser humano, a palavra representatividade traz consigo um grande significado principalmente para a população afro-brasileira em relação aos meios de comunicação: “Liga-se à ideia daquele que representa politicamente os interesses de um grupo, de uma classe ou de uma nação. Ela se concretiza através da ação, adesão e participação dos representados” (AURELIO4 2014). Podemos acrescentar ainda que essa palavra não se refere apenas a questões políticas, mas, na compreensão e reconhecimento das suas características intrínsecas. Ou seja, a falta dela causa não apenas a disparidade da presença afro-racial na mídia, como também problemas psicológicos, principalmente para os mais jovens que consomem o conteúdo proposto sem ao menos se identificar com o que está sendo exibido. Sendo assim, “Quando uma etnia ou cultura é desvalorizada, desconsiderada ou mesmo oculta, fica muito difícil para a pessoa se reconhecer como ser desejante” diz (OLIVEIRA, Marlene, Psicóloga)5. Consequentemente causando a falta de autoestima e insegurança perante a exclusão social em que são colocadas.
Outro fator que deve ser observado é que “Desde pequeno, a pessoa negra incorpora esse aspecto negativo em si e isso influenciará a postura dela na sociedade” (LADEIRA, Francisco Fernandes)6. O processo de identificação através da representatividade, desencarrega uma importância social muito grande de incentivo para o combate do racismo em diversos âmbitos que está inserida, inclusive na mídia de forma ampla. Podendo resultar o questionamento e a geração de atitudes contra a marginalização que vem sendo posicionadas. Devido a isso, podemos refletir em como o reconhecimento e a igualdade de oportunidade, traz a modificação da maneira de pensar, como também, o agir em sociedade.
Em vista disso, sabemos que a mídia televisa brasileira ainda tem um grande impacto na sociedade atual, ainda mais em relação às classes de poder aquisitivo baixa, onde está localiza em sua grande maioria a população afro-racial. Abordando em quesito de estudo as grandes emissoras da cidade de São Paulo, ainda é necessário um avanço de proporções expressivas em relação à presença de pessoas com origem afrodescendente na mídia. Vemos uma melhora em relação ao que se refere a conteúdos de entretenimento, no entanto, o que se deve ser discutido é a invisibilidade desse grupo em relação ao jornalismo televisivo e programas de cunho educativo presente nesses grandes veículos da capital paulista.
Para demonstrar de forma mais explicativa a falta de presença de negros no meio jornalístico paulistano, uma pesquisa feita pelo site Vaidapé7 no ano de 2017, observando 204 programas televisivos das sete maiores emissoras do país como Cultura, SBT, Rede Globo, Rede Record, RedeTV!, Gazeta e Bandeirantes, e utilizando a Capital de São Paulo para analisar outras programações específicas do que as veiculadas em rede nacional trazendo o seguinte resultado: “Apenas 3,7% dos apresentadores são negros. Em valores absolutos, de todos os analisados, foram apenas 10 apresentadores negros contra 261 brancos” (VIADAPÉ, 2017).
Como resultado, é de pouca probabilidade ver a visibilidade de um afrodescendente nos grandes canais de tv paulistano, como apresenta o seguinte dado: “levando em consideração uma programação de 24 horas que possui apresentadores. Um negro (a) estaria presente em apenas 6 minutos desse período”. (VIADAPÉ, 2017)
I sso traz o reflexo da desigualdade e discrepância de oportunidades entre as diferentes etnias no mercado televisivo paulistano. Levando em consideração os 3,4% que foram abordados, ainda tem algumas implicâncias maiores como é apresentado na seguinte imagem no que se refere a falta de negros no jornalismo e programas educativos como mencionado anteriormente:
Devido à figura acima, é possível refletir em como apesar de apenas 3,4% dos negros fazerem parte da programação paulistana, ainda existe mais discriminação em relação aquelas que já estão inseridos no meio. Então é necessário questionar: Os programas jornalísticos não teriam sua alta credibilidade sendo ministrada por alguém de origem afro? As crianças que assistem aos programas, incluindo as negras, não se sentem impactadas o suficiente para acompanhar se fosse apresentado por um afrodescendente? As exibições educativas não teriam algum sentido contendo um negro como precursor do programa? E por que isso acontece ainda no presente momento?
Considerações Finais
No caso o “ser desejante” abordado anteriormente é percursos das necessidades humanas de obter reconhecimento no meio social que está envolvida. Trata-se da representatividade de uma população rejeitada por décadas, obtendo com isso a oportunidade de estar, fazer, e viver suas essências e escolhas. Sem a repressão de uma “superioridade” étnica.
Portanto, é de responsabilidade social os veículos de comunicação tratados acima em sua grande maioria, mas também todos aqueles não foram referidos, dar espaço para a população afrodescendentes de obter seu espaço perante todos os anos de escuridão e inferioridade que foram colocadas pela sociedade. Tendo também, a extrema importância dos cidadãos em geral observar a capacidade dos negros sem ao menos colocar em questão sua origem histórica e racial como critério de escolha, seja por qualquer atividade, situação ou ambiente em questão.
Ressaltando que não acontece apenas na mídia televisa paulistana, como em qualquer ambiente jornalístico dos principais veículos do país, sendo impresso ou audiovisual9. “Eu conto nos dedos de uma das mãos quantos negros dividem o mesmo espaço de trabalho numa redação”, afirma (CRUZ Cintia 10, do jornal Extra).
Isso implica posteriormente, no processo de identificação da comunidade negra em assimilar que ela pode estar presente na mídia que tem a maior confiabilidade do país, e obtendo os espaços de maior credibilidade com sua capacidade. Porém, ainda existe um grande caminho para combater os impedimentos de conquistar o seu devido espaço, e afrontar toda a intolerância presente nos meios de comunicação.
BIBLIOGRAFIA
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em: <https://apublica.org/2017/12/racismo-no-jornalismo-e-nas-redacoes/> Acesso em 12 set.2018.
EUGÊNIO, Amauri. O que explica a baixa representatividade de
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Acesso em 11 set. 2018.
PINHEIRO, Ana Carol. Representatividade
negra na mídia: estamos evoluindo ou andando para trás? Disponível em: <https://capricho.abril.com.br/vida-real/representatividade-negra-na-midia-estamos-evoluindo-ou-andando-para-tras/> Acesso em 22 set 2018.
SANTANA, Henrique; SALLES, Iuri. Por que os negros não apresentam programas de televisão. Disponível em: <http://vaidape.com.br/2017/06/pesquisa-apresentadores-negros-na-televisao/ > Acesso em 04 set 2018
VASCO,
Sttela. A importância da representatividade:
Ter personagens que nos façam sentir representadas é mais do que fundamental, é
justo. Disponível em <http://noticias.universia.com.br/cultura/noticia/2017/03/23/1150796/importancia-representatividade.html> Acesso em: 04 set. 2018.


